sábado, fevereiro 7

tranquilidade

Na leitura, em diagonal assumo, que fiz dos blogues meus favoritos encontrei dois textos perante os quais não posso deixar de procurar contribuir para a discussão, para a arrumação das ideias.
São eles e como ponto de partida UTOPIAS: reformamos ou reinventamos o sistema educativo? um texto de J. P. Serralheiro, de 31 de Janeiro, e um comentário do Miguel a esse mesmo texto.
Apesar de algumas diferenças, de resto desde sempre assumidas, considero que não existem divergências, e o que nos resta é procurar acrescentar algo à ideia do outro. É isso que procuro fazer neste momento ainda com influências oriundas de outras paragens.
A questão quando colocada da forma como o foi apela a princípios da utopia, da re-construção não de um sistema mas de um mundo, de outro mundo, provavelmente melhor, mais equilibrado, mais equitativo.
Neste momento o que apelo, e no que ao sistema educativo diz respeito, é de tranquilidade, serenidade, bom senso e medidas de política q.b..
Ou seja, este governo, quando tomou posse teve como clara preocupação suspender todas as medidas que pode e que tinham sido adoptadas pelo governo PS. Não houve interesse nem preocupação na avaliação das medidas de política antes adoptadas, na determinação dos seus impactos perante os actores educativos, nem a aferição do modo como essas medidas tinham sido adoptadas e contextualizadas às diferentes realidades escolares, educativas, sociais. A preocupação foi - é - a de apagar, pura e simplesmente, o período que mediou entre Outubro de 95 e Março de 2002.
Voltou-se às intensas reformas, às alterações de fundo e estruturais, voltou-se a uma indefinição de sentidos, de objectivos, à dificuldade em planear, nas escolas, um ciclo de formação de, no mínimo, de três anos.
Mais do que que reformar ou reinventar o sistema necessita-se de se avaliar o trabalho desenvolvido, definir projectos e avaliá-los, responsabilizar actores, alterar medidas de política que mais do que regulamentar criam entropias ao sistema, necessita-se, como diz e bem o Miguel, de definir a formação dos professores, apostar na sua capacitação e adequação aos tempos.
Em caso contrário corre-se o sério risco de se cair naquilo que o Paulo apresenta sob o título o Vidro e a professora. A ironia da autonomia? Não o considero e para o justificar busco legitimidade em palavras de alguém que foi responsável por medidas de política em governo PSD, "a construção de escolas competentes, capazes de tirarem o máximo partido, em cada momento, das inteligências dos seus principais actores, requer também um Estado competente e inteligente" (p. 109).
Agora pergunto eu, será que temos um Estado inteligente?