sábado, janeiro 17

Da Harmonia

Escrevi há tempos, assumo que nem eu sei em que post andará, que quando um dia me sentir inclinado a colocar em prática a utopia que defendo para a escola me assustarei, me sentirei pequenino, incerto, duvidoso.
Isto porque o quotidiano da escola, como noutras organizações, é um equilíbrio instável, periclitante, provisório, instável entre o que fomos, o que somos e o que queremos ser. Esta santíssima trindade define um dado sentido, por muito que muitos procurem contrariar, ao conjunto de relações que se estabelecem, definem e entretecem numa qualquer organização.
É esta trindade que define, em muitos casos e em muitas circunstâncias, a forma como olhamos a escola, os seus profissionais, as relações que ela define. É ela que de algum modo condiciona o nosso olhar. A cultura de uma escola existe para isso mesmo, por isso mesmo.
O desafio da escola portuguesa neste momento consiste exactamente em encontrar o seu ponto de equilíbrio, a sua harmonia entre aquilo que foi (determinante na construção e afirmação da democracia), aquilo que actualmente é (algo instável e indefinível na transição da sociedade industrial para a era do conhecimento, da fluidez das informações) e aquilo que pretenderá um dia ser (aqui reconheço a minha menoridade, não sei o que a escola poderá vir a ser). Estou é certo que se manterá como um instrumento determinante da formação, tanto inicial como contínua.
O prazer que sinto neste momento nos blogues é poder partilhar a construção de uma ideia de escola, entre aquilo que fomos, provavelmente serei um dos mais crescidos nessa área, aquilo que somos e aquilo que queremos ser. Aqui, nesta troca de ideias, palavras, escritas, pensamentos, sinto o claro prazer e um certo privilégio em participar numa construção.
Neste campo, destaque para uma experiência de docentes do 1º ciclo que encontrei recentemente e que merece ser divulgada por mais parceiros, pode ser uma das pistas do futuro, a colaboração à distância, fazer do distante próximo, do ausente presente, do virtual algo real, do isolado e individual colaborativo e em equipa.